 parte qualquer lgica eleitoral que possa ter, o acordo entre PFL e PSDB, desde que comeou a ser cogitado, acenava com toda sorte de dilemas e dificuldades em funo da grande disparidade entre as duas legendas em termos de ideologia, histria partidria e prtica poltica. To dspares que boa parte dos membros de uma apoiou a ditadura contra a qual lutou a maioria dos membros da outra.

Pois alm das ameaas de rebelio que se disseminaram de imediato em diversos setores do PSDB, a estranha aliana j provocou um novo e embaraoso problema a partir do favoritismo que vinha sendo dado ao nome do deputado Lus Eduardo Magalhes (PFL-BA) entre os cotados para compor, como candidato a vice, a chapa presidencial de Fernando Henrique Cardoso.

Lus Eduardo de fato j tinha a caracterstica peculiar de, como filho de Antnio Carlos Magalhes, representar quase que um emblema do PFL trazendo, ao lado de um vigoroso apoio do governador da Bahia, a lembrana presente daquilo que esse partido significa em termos de prtica, de histria e de posies polticas no pas. No s isso. Como foi lembrado nos ltimos dias, Lus Eduardo votou contra o impeachment de Fernando Collor.

Ora, o PSDB sempre se pretendeu um partido preocupado com a tica supostamente, sua criao como dissidncia do PMDB deveu-se em boa parte a essa questo. Assim, se o pacto com uma legenda vinculada s tradies mais deplorveis da vida pblica brasileira j  difcil de justificar, a aceitao de um candidato a vice que defendeu Collor parece quase impossvel.

Expresso de forma inequvoca num dos maiores movimentos cvicos que este pas j viu e que contou com a adeso integral do PSDB, o apoio da populao ao afastamento do chefe da Dinda e sua camarilha foi esmagador. Nessas circunstncias, o voto de Lus Eduardo contra o impeachment revela um desdm para com a opinio do eleitorado que atenta contra as responsabilidades e deveres da representao popular.

A cotao do filho de ACM como postulante a vice decaiu sensivelmente nos ltimos dias, mas mesmo que seu nome seja definitivamente afastado o problema continua longe de resolvido.

O fato  que o PSDB chegou a considerar seriamente o nome do pefelista baiano para integrar sua chapa, sabendo perfeitamente como ele havia votado na deciso do impeachment. Assim, o seu possvel recuo agora pareceria dever-se muito mais ao temor do efeito eleitoral de uma divulgao do voto pr-Collor de Lus Eduardo do que a qualquer considerao de ordem tica quanto a esse mesmo voto atitude eleitoreira do tipo que o PSDB costumava condenar.

Outra dificuldade que resta refere-se  escolha de um novo nome do PFL para vice na chapa de FHC. Com o filho de ACM perdendo a dianteira, ressurge a difcil tarefa de encontrar um nome que ao mesmo tempo satisfaa a cpula pefelista, traga votos no Nordeste (ao fim e ao cabo, o maior atrativo do PFL) e no cause uma rebelio ainda maior entre os tucanos.

So problemas, de todo modo, que no devem surpreender ningum muito menos o PSDB e que devero continuar a aflorar nos prximos meses. Afinal, no se pode aliar antigos inimigos e antpodas polticos impunemente.
